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CRMV-RS promove troca de experiências com pesquisadores da Fiocruz
06/12/2021

O conceito de saúde única estabelece que saúde humana, animal e ambiental são indissociáveis para que haja bem-estar a qualidade de vida para todos. Com base nessa premissa, uma equipe de médicos veterinários da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, criou o Programa Saúde Única no Campus. Através dele, eles resgatam animais abandonados no campus da fundação, principalmente cães e gatos, tratam os doentes, vacinam, castram e microchipam. A iniciativa surgiu em função do grande número de animais que periodicamente são abandonados no campus, os quais acabavam atropelados, ou representavam riscos à saúde humana, pela transmissão de zoonoses, arranhaduras e mordeduras. 


A presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS), Lisandra Dornelles, conheceu de perto o programa, com o objetivo de promover troca de experiências. “Desde o início da gestão, trabalhamos a questão da inserção do médico veterinário na saúde única e a valorização da classe como profissionais da saúde. Fomos conhecer de perto as ações feitas lá para divulgar e fomentar, para que iniciativas assim ocorram em outras instituições”.  

 
Para o coordenador do programa, pesquisador do ICTB/Fiocruz e presidente da Comissão de Saúde única do CRMV-RJ, Paulo Abilio Varella Lisboa, todas as instituições devem fomentar ações de saúde única ou implementar programas de saúde única como uma forma efetiva de enfrentamento ao manejo humanitário de animais, posse responsável, fauna urbana, sindromes de Diógenes e de Noé (no caso dos acumuladores),  zoonoses, epizotias, sindemias e manejo da flora, dos recursos hídricos, saneamento básico, e biodiversidade como uma forma de contribuir para cidades mais sustentáveis, solidárias com os animais. “Acredito que o futuro da humanidade depende das nossas ações hoje e do que plantamos para as gerações futuras”, completou. 


Todos os animais domésticos encontrados no campus são mantidos sob o cuidado dos médicos veterinários do programa, em parceria com profissionais voluntários e ingressam na Organização Não-Governamental Focinhos do Castelo, à espera de adoção. Através do trabalho foi possível reduzir o abandono de animais no campus em 50%. “Em 2021, a totalidade dos abandonados no campus conseguiram um lar”, comemora Lisboa. Os animais resgatados também são testados para Leishmaniose, erliquiose e são encoleirados, como forma de prevenção.  


Como o foco dos pesquisadores é trabalhar com saúde única, durante a pandemia, eles realizaram inquérito sorológico de COVID-19 em animais de vida livre, de lares temporários, hospedados mantidos e cuidados pelo programa (cães e gatos do campus - em torno de 85 animais) e mais uns 40 animais testados de tutores com sinais e positivos para COVID-19. “O objetivo foi fazer um monitoramento da incidência da doença e todos os animais testaram negativo”. 


Lisboa também destaca o lado social do programa, à medida em que trabalha com representantes das comunidades do entorno, como a Amorim, Manguinhos, Mandela I e II, Birigui e favela da Maré. “Essa interação com as pessoas das comunidades nos permite trabalhar o território como um todo, tutores e não tutores de cães e gatos, realizando palestras e testes de COVID”. Ele conta que o programa também tem realizado cursos de capacitação de agentes comunitários em saúde única que atuarão nas comunidades. 


Como apoio para resgate dos animais que aparecem no campus, a Fiocruz conta com o trabalho do especialista em captura Jackson Ferreira. “Trabalhamos com controle populacional ético animais de vida livre cães e gatos que são abandonados nas áreas da Fiocruz”, ele explica. Ele dispõe de equipamentos para capturas de animais ariscos, ferais ou mesmo mansos de vida livre em áreas de mata. Segundo ele, esses animais são castrados, vacinados e têm dois destinos, ou são encaminhados para a ONG Focinhos do Castelo, ou voltam para vida livre, no caso de animais ferais, logo após estarem recuperados da cirurgia de castração. 


Jackson explica a diferença entre captura e resgate: a primeira é quando o animal é retirado do meio para algum procedimento veterinário, quase sempre eletivo. Já o resgate envolve animais já castrados, que sofreram algum acidente, como quedas, animais que sobem em árvores, feridos, em locais de difícil acesso, os quais são contidos e encaminhamos para clínicas parceiras. “E depois fica no ambulatório dele, grande parte para depois serem devolvidos à vida livre”. No campus da Fiocruz, ele captura uma média de seis animais ao mês e no geral do seu trabalho, chega a 40, contando os outros clientes para os quais presta atendimento.