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Por que a Leishmaniose é questão de Saúde Pública?
14-07-2020

A Leishmaniose Visceral (LV), conhecida popularmente como calazar, é conceituada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das doenças mais negligenciadas do planeta. Estima-se que no mundo ocorra uma média de 500 mil casos ao ano. No Brasil, dados do Ministério da Saúde (MS) apontam uma média superior a três mil casos anuais e uma letalidade em torno dos 7%, tendo como fator de imensa preocupação a elevada concentração de casos em crianças, na faixa etária de zero a 14 anos. A doença também pode acometer uma alta proporção de cães em algumas localidades de municípios endêmicos.

 

A LV é uma zoonose clássica, que envolve no seu ciclo de transmissão um vetor (flebótomo), conhecido popularmente como mosquito-palha, birigui ou cangalhinhaque se reproduz em matéria orgânica, e cuja fêmea realiza seu repasto sanguíneo em animais vertebrados em áreas silvestres, rurais e urbanas. Esses animais atuam como reservatórios e o cão, em áreas urbanas, tem a maior relevância como reservatório. Essa espécie pode ser infectada por um flebótomo e desenvolver ou não sinais e sintomas. No entanto, o cão pode ser uma fonte de infecção para o vetor.

 

Por esse motivo, o uso de medidas de prevenção, como produtos repelentes aos insetos ou vacinas antileishmaniose visceral canina, bem como o uso de telas finas em canis, são importantes para reduzir os impactos dessa zoonose. Por outro lado, o manejo correto e ético do animal doente é essencial para evitar que esse se torne uma fonte de infecção potencial e, portanto, um risco para saúde de outros animais e seres humanos.

 

Em todas essas ações, o médico-veterinário exerce um papel específico e relevante, o que o torna essencial na vigilância, prevenção e controle do calazar, atuando em duas vertentes estratégicas: a saúde pública e a clínica veterinária.

 

O CFMV mantém no seu site perguntas e respostas sobre a LV, bem como uma Nota Técnica, ambas constantemente acessadas e servindo de base e orientação para toda a classe profissional. Nos últimos dois anos, o CFMV realizou dois seminários regionais, nas regiões Norte e Centro-Oeste, sobre a leishmaniose, nos quais promoveu a atualização sobre tema para acadêmicos e profissionais. Também participou, nos estados do Acre e São Paulo, de dois eventos em que abordou a LV na visão do conselho. Em 2019, realizou o Fórum de Saúde Pública Veterinária, na cidade de Curitiba (PR), na qual a doença foi abordada com destaque.

 

No campo político, o CFMV tem estreitado contatos com a Coordenação Nacional do Programa, junto à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), tendo como objetivo fortalecer o papel do médico-veterinário nessa atuação. Tem atuado também próximo à Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa), inclusive participando do congresso nacional promovido pela entidade.

 

O CFMV participa do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e, na XVI Conferência Nacional de Saúde (2019), obteve destaque para a Medicina Veterinária. Os representantes do conselho realizaram uma apresentação sobre a saúde única e, em nome da instituição, encaminharam propostas de moção amplamente aprovadas pela plenária: uma propondo a saúde única como política de saúde pública para o país; e outra direcionando o resgate e fortalecimento das Unidades de Vigilância de Zoonoses.

 

Outra iniciativa em curso é a elaboração de um guia de bolso sobre a LV para os médicos-veterinários, previsto para ser publicado ainda neste ano. Elaborado por um grupo seleto de especialistas no tema, o guia visa harmonizar as orientações sobre a doença em diversos aspectos, desde a saúde pública e legislação ao diagnóstico e manejo dos animais suspeitos e confirmados para a doença.

 

Confira a conversa que a presidente do CRMV-RS, Lisandra Dornelles, participou ontem sobre o tema à convite do Descomplica Leish, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL): https://bit.ly/2C1qnCY.

 

*Assessoria de Comunicação do CFMV





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